quinta-feira, 11 de junho de 2009

PSICO II

Esse ano, estou lecionando duas 4ªs séries, como já me referi em diversas outras postagens, seja no blog ou nos fóruns ou mesmo, em textos solicitados pelos professores. As crianças das duas turmas, apresentam desenvolvimento da expressão oral e escrita completamente diferentes. Na E.E.E.F., as crianças são oriundas de classe média baixa, tendendo à média, possuem famílias um tanto estruturadas, com pais que possuem empregos mais estáveis, que acompanham o processo de desenvolvimento escolar das crianças, que cuidam de sua higiene, que procuram participar auxiliando a escola em suas necessidades. Muitos tem carro, as crianças vão ou voltam com transporte escolar, as crianças, em casa, tem DVD, computador, aparelhos de CD próprios, passeiam com os pais, e conversam muito com eles.No turno inverso, ficam em casa ou vão a algum curso. Auxiliam na casa ou cuidam de irmãos. Essas crianças, na escola, apresentam seus estádios de desenvolvimento de socialização, gênese do pensamento e afetividade muito mais par e passo com sua idade cronológica.(estádio operatório concreto) Não quero dizer com isso, que não tenham inúmeros problemas tanto econômicos como familiares e sei que precisam de grande orientação para o aprendizado. Note-se, também, que não estou afirmando que “estão no estádio” categoricamente. Nas aulas, dançam, cantam criam, são mais harmônicas, menos violentas em suas condutas umas com as outras. Cooperam bem mais que seus coleguinhas de séries anteriores e já argumentam melhor. Na escrita, apresentam poucos erros ortográficos e maior articulação da escrita. Como exemplo, em um trabalho, uma menina, escreveu três historinhas que ocuparam três páginas de caderno e fez três erros de ortografia.

PSICO II

Sob o enfoque Piagetiano, cada vez mais identifico situações em sala de aula, não observando somente agora, as duas 4ªs séries para as quais leciono, mas relembrando as turmas de 1ª série, 2ª e 3ª, assim como no ano passado o 1º ano, onde as crianças estavam na faixa dos seis anos de idade. Especificamente, nas 1ªs séries e mais ainda no 1º ano, entendi a “conversalhada” que faziam o tempo inteiro, durante todo o período de aula, seja na rua, no pátio ou dentro da sala. Apesar de muitos anos trabalhando com os pequenos, comecei a perceber que conversavam cada vez mais. Algumas vezes cheguei a pensar que eu já estava muito cansada e, que por isso estava exagerando em minhas observações, mas não, Piaget através de seus escritos me fez ver que realmente essa característica é própria dessa idade. Ele se refere a isso como um “monólogo coletivo”, em que as crianças estão mutuamente se excitando à ação, mobilizando seus esquemas interiores, assimilando as situações que vivencia e acomodando essas assimilações com o auxílio da fala, ainda que pareça estar dialogando com seus coleguinhas. Certamente o diálogo está acontecendo, mas subjacente a ele, o que existe é um monólogo. Confesso que fiquei mais aliviada, pois como trabalhava quase sempre em grupos, a aula estava sempre agitada, o que atraia “olhares fiscalizadores de disciplina” sobre a turma e a mim. Pelo menos não pequei tanto com eles. Conseguiram este espaço tão importante e com exceção de quatro deles, todos saíram lendo e escrevendo do 1º ano e brincaram muito, também. Gostaria de ressaltar que esse aspecto se encontra na análise da socialização da ação em Piaget.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Questões étnico-raciais

Quando fiz as entrevistas com as crianças negras, não havia lido o texto da professora Marilene Leal Paré. Somente o fiz quando fui elaborar o texto de reflexão sobre a entrevista e o contexto escolar. Confesso que fiquei bastante impressionada com as Essências elaboradas na dissertação da professora. As crianças responderam exatamente dentro das dimensões que compõem as Essências. Pude ver a expressão delas quanto ao sentimento de tristeza quando eram ofendidas em função da cor da pele. Todas falaram que sentiam-se mal, mas não sabiam explicitar, ou não queriam, creio que sentiam vergonha de sentir tristeza. Realmente, o que aprendi nessa interdisciplina é que ainda estamos fazendo muito pouco para mudar essa situação. Como já havia falado no texto de reflexão, embora muitas das crianças, mesmo brancas passem situações de miséria, ainda assim, vejo que as crianças negras apresentam mais marcas de desorganização, de desânimo pela frequencia à escola, possivelmente indicativo de não identificação com a escola que não lhes apresenta conteúdos condizentes com seus interesses. Como diz a professora Marilene, onde está o momento de estudo sobre a África? Continuamos oferecendo somente material sobre a europa.

sábado, 9 de maio de 2009

idem anterior

Lendo as postagens das colegas, no fórum, observei questões que se apresentam em suas salas de aula, que são muito parecidas com as que acontecem comigo. Já que em Taquara existe uma região de Quilombo, pretendo levar a turma até lá para que conheçam o local e troquem informações com o pessoal de lá. Penso que é importante a criança negra e indígena, especialmente, enxergar que se é um entre centenas ou milhares, então é um igual entre muitos. Em uma situação em que é um diferente entre muitos diferentes, não necessita ser o escolhido para sofrer a discriminação e o massacre. Suspeito que um de meus alunos tenha descendência indígena, por isso já preparei a atividade 5 dessa interdisciplina em função disso. Se for possível, pretendo levá-los até a reserva Guarani, no município de Riozinho. (próximo de Taquara).

Questões étnico-raciais na educação

Psico II

Quando assisti o vídeo em que o próprio Piaget se afirmava construtivista, senti um misto de admiração e emoção. Existem pessoas que já nacem geniais... só vão desenhando essa genialidade ao longo de suas vidas. Admiro essa firmeza de crença, a coragem de não aceitar o que os outros lhe impõem. A primeira vez que li Piaget, tinha mais ou menos uns 24 anos. Não entendi nada. Mas minha intuição(ele fala muito bem disso) dizia que esse era um caminho. Hoje começo a compreender o que são os processos de assimilação e acomodação e portanto o que é aprendizagem. Espero que consiga desenvolver essa compreensão, cada vez mais, em minhas ações. Em uma das revistas Nova Escola, há um texto que questiona o discurso vazio. Vários professores emcampam um discurso, o vocabulário utilizado no momento, mas na verdade não o compreendem e talvez até por isso, não acreditam e consideram moda. Não procuram aprofundar a teoria. Tive o desprazer de ouvir, em cursos proporcionados para professores no município de Taquara, uma professora que ministrava o curso sobre alfabetização que Paulo Freire e o construtivismo estavam ultrapassados. Certamente reduziu a epistemologia ao método, confundindo. Indicação de falta de conhecimento sobre o assunto.

PSICO II

A partir de uma série de experiências de vida, me foi apresentado o termo dialética. Fui compreendendo o conceito muito lentamente. Certamente, hoje, comprendo muito mais, porém, fiquei extremamente feliz, ao ler os textos de Fernando Becker e receber algumas explicações da parte da professora Ana Petersen e da tutora Analissa na aula presencial, com o quê, me ficou muito claro a dialeticidade da epistemologia relacional. A dialética enquanto ação psíquica inerente a todo o ser humano, apesar de a grande maioria não saber disso. Lógicamente, continuo afirmando que ainda estou me aproximando dessa forma de exercer a docência, pois anos e anos de uma pedagogia diretiva, todo um período de formação do ensino fundamental ao médio, nos deixa marcas profundas.