sábado, 3 de abril de 2010

Situações II

Como já coloquei anteriormente, inicío o trabalho com as crianças, sempre focando as identidades individuais até começar a juntar determinadas situações que evidenciem uma identidade de grupo e social. Começo pelos nomes, endereços, visitas às casas, depois mapas da casa, da rua, crescendo para o bairro, cidade e por fim o Rio Grande do Sul. (Também dentro da própria sala de aula). Aí introduzo os pontos cardeiais, e sugiro referências como a casa em relação ao sol, a escola, e outros pontos bem conhecidos no bairro. Quando fiz o exercício de direcionar o braço para o sol para situar o leste, e daí os outros pontos cardeais... acharam que era bobagem, ficavam com vergonha, não levantavam o braço. Uma das características bem marcantes dessa turma "é pedir tema no quadro", qualquer outra forma diferenciada de apresentar uma atividade, como o passeio nas casas é só diversão, passeio e brincadeira. Não estamos aprendendo. Mesmo que eu explique que são maneiras diferentes de aprender, e pergunte se não é melhor assim e eles concordem....já tenho uma fila na porta, no recreio, de outras turmas, dizendo: aí, profe, eu queria estudar contigo! Em um bilhete que recebi de uma menina que não é minha aluna, ela expressou o mesmo, mas o motivo é o seguinte: Teus alunos falam que tu é tão boazinha... passa pouco tema!!!!!Dá vontade de rir, para não chorar.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Situações de aula

Uma das coisas que percebi após um mês de aula, pois no município começamos o ano letivo em 22 de fevereiro, foram as dificuldades na área de matemática. Na verdade, venho percebendo esses fatos que relato aqui, já há mais tempo, mas agora, consigo formular e escrever o que estou vendo. Especialmente depois de ler, durante as férias, o livro de Constance Kamii, "A Criança e o Número". Desde que comecei a trabalhar com 4ªs séries, agora5ºs anos, observei que as crianças não conseguem entender completamente o quadro posicional; a base 10. Se perguntamos quantas unidades vale uma dezena, respondem 10; se perguntamos quantas dezenas valem 10 unidades, repondem 1. Certo. Porém, quando vamos decompor os números não conseguem compreender que no numeral 2358, por exemplo pode ser decomposto de várias formas que se equivalem:2 unidades de milhar, 3 centenas, 5 dezenas e 8 unidades ou 2000 + 300 + 50 + 8. Eles entendem a decomposição se realizarmos os dois processos separadamente, porém se apresento os dois como comparação, ficam confusos. Custam a retomar o pensamento e enxergar que 2000 é outra forma de apresentar 2 unidades de milhar. Talvez seja normal pelo fato de que ainda se encontram na fase operatório concreta e as comparações os forçam a uma abstração. No entanto, suspeito que a própria construção do número ainda não esteja consolidada. Pois os processos de ensino dessa construção ainda continuam apenas se baseando na representação de que a quantidade 8 é igual a 8 bolinhas (ou qualquer outro símbolo), sem colocar as quantidades em relação umas com as outras, como exemplifica em seu livro a autora. Não esquecendo da inclusão hierárquica necessária à construção do número. A partir dessa constatação, estendo o trabalho em cima desses tópicos.

terça-feira, 30 de março de 2010

Situando-se no mundo

Sempre que começo o ano, faço várias investigações sobre a vida das crianças. Penso que meu trabalho deve iniciar pela construção de suas identidades individuais, desde por exemplo, a apropriação do nomes de forma correta. Tenho percebido nas últimas turmas de 4ªs séries, que as crianças chegam até ali, sem saberem escrever seus nomes corretamente. Não conseguem entender a importância de uma certidão de nascimento, porque ela existe e porque seus nomes devem ser escritos da forma como está ali registrado. No primeiro dia, após a recepção, (normalmente alguma brincadeira) peço que escrevam seus nomes no caderno e confiro com a lista de chamada. Várias crianças apresentam as escritas que não conferem com a lista. Daí, vamos para as certidões de nascimento, nas pastas dos alunos e verificamos onde está o engano, se na família ou se a escola se enganou ao digitar o nome da criança e por isso não confere. Já tive casos curiosos, como o de uma aluna atual, em que ela e sua mãe não gostavam que se escrevesse seu nome com s e por isso usavam z, a despeito de na certidão estar escrito com s. No momento seguinte, trouxe uma certidão para entendermos o que era registrado ali e sua importância. Mais adiante, passo para os endereços e telefones. Da mesma forma, a maioria das crianças não sabe escrever ou nem pronunciar corretamente o nome de sua rua, nem sabe o número de sua casa. Após conferirem como tema de casa, saímos para visitar cada uma das casas para ver onde moravam. Aproveitamos para olhar as placas com os nomes das ruas. Penso que se um aluno sai da escola, sem no mínimo saber ler e escrever seu nome completo e endereço, a escola não cumpriu seu papel de prepará-lo para vida, como está afirmado nas intenções dos belos PPPs.

domingo, 21 de março de 2010

ESTÁGIO CURRICULAR 20101

Este semestre, certamente, nos fará revisar tudo o que aprendemos em teoria, ainda que as interdisciplinas já cursadas nos conduzissem a praticarmos com nossos alunos, construindo a vinculação entre o pensar e o fazer para então elaborarmos nossos pontos de vista sobre determinada área de conhecimento e sobre a educação como um todo.
Na escola em que farei meu estágio, as aulas já iniciaram em 22 de fevereiro desse ano.Isso me permitiu já perceber como as crianças se relacionam,quais são algumas características emocionais/sociais, como reagem às propostas, sua origem sócio econômica, causas de algumas dificuldades com a escola e suas aprendizagens. Já iniciei um trabalho de autorreconhecimento de suas identidades individuais, e ancestralidade que deve percorrer quase todas as áreas do conhecimento. Tenho tentado vincular os conteúdos trabalhados até agora e estou preparando uma atividade start para um PA, que será uma ida à Porto Alegre, com as três turmas de quarta séries, onde visitaremos alguns locais que também poderão ensejar trabalhos de pesquisa em diversas áreas. Felizmente houve uma mudança no sistema de utilização do laboratório, através da qual poderei ocupar o laboratório de informática muitas vezes na semana, caso outros professores não se habilitem. Essa possivelmente será outra tarefa; incentivar os próprios colegas a ocuparem mais esse espaço. Já utilizei duas vezes para trabalhar com programinhas instalados,dos quais as crianças gostaram muito. Estou aguardando ansiosamente a vinda da Internet até final da próxima semana. Faltam poucos arranjos de estrutura para receber o sinal. Há uma situação que tem me causado preocupação. A escola passará por reformas nesse ano, haverá turmas que terão de ser deslocadas para um outro local. Isso pode causar transtornos ao projeto, pois possivelmente essa facilidade de acesso ao laboratório, será prejudicada.

sábado, 19 de dezembro de 2009

MONTESSORI

Tive a oportunidade de trabalhar em uma escolinha infantil Montessoriana,localizada no bairro Menino Deus em Porto Alegre, há 28 anos atrás. A diretora havia montado toda a estrutura, adequada aos pressupostos da grande educadora italiana. Trabalhei como monitora, assessorando uma professora e eventualmente, substituindo alguma outra. Nos 3 meses que estive por lá, pela teoria, somente duas professoras conseguiam realmente imprimir um enfoque Montessoriano ao seu trabalho com as crianças. As outras usavam dos materiais, mas com uma visão muito diretiva do trabalho. Quanto menores, mais impunham às crianças uma ordem padrão, para que todos as seguissem. Realmente, lembrando a professora Ana da interdisciplina de Psicologia, devemos tentar perceber se concordamos com a filosofia com a qual estamos trabalhando ou se somente somos obrigados a segui-la.

DIDÁTICA

Gostei demais de conhecer a filosofia dos grandes pedagogos que nos foram apresentados na interdisciplina de Didática. Já havia lido algo sobre eles, mas agora, pude me inteirar melhor. Freinet sempre me despertou entusiasmo. Embora, sendo repetitiva, sempre fico atônita como a ideologia das classes dominantes consegue abafar tão completamente idéias como as dele. Há alguns anos, apenas, conseguimos ouvir falar de suas teorias que já possuem muito mais de 100 anos!!! Suas aulas passeio me encantam, e sempre fiz isso com meus alunos. Realizar saídas para verificação de algumas opiniões que as crianças expressam em aula e a partir delas conseguir analisar vários outros elementos. Podem-se iniciar muito bons projetos através da observação da sua própria realidade circundante. Os cantinhos, infelizmente nunca pude realizá-los pois, as salas de aula por serem muito pequenas e cheias de alunos não comportam a estruturação dos mesmos. Além disto, nos falta muito material; só o que nós professores conseguimos trazer para sala de aula. Já tive oportunidade de trabalhar a correspondência, mas as análises feitas a partir dela não foram bem conduzidas. Realmente é uma oportunidade muito boa para se desdobrar a alfabetização e o letramento.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DIDÁTICA

O último enfoque de didática sobre avaliação foi bastante importante para mim. As reflexões sobre avalição mediadora e classificatória foram muito esclarecedoras. Creio que dificilmente os professores tem coragem de revelar o quanto nos falta conhecimento teórico nessa área. Vivemos sob o impacto de uma avaliação classificatória, ainda..e por mais que se desenvolva uma trabalho com uma visão mais construtivista, a avaliação não consegue inúmeras vezes acompanhar esse caminho. Os sistemas de ensino, cobram avaliações quantitativas como prioridade. Não conheço uma escola, no meu município, em que os professores consigam avaliar somente com instrumentos mediadores, sem aplicação de testes ou provas. Realmente, existe uma força muito grande por parte das secretarias de educação municipais, que de forma sutil, colocam esse tipo de avaliação como importante. E o que vejo, são supervisores, que se consideram abertos, copiando e comparando conteúdos curriculares, inclusive de escolas particulares para não ficarem "atrás" das outras escolas. Quando coloco a possibilidade de projetos de aprendizagem, a partir dos interesses das crianças, logo vem a pergunta: - como farão um vestibular? Vê-se que o entendimento de preparar para vida segue uma linha elitista e portanto, avaliarprioritariamente quantitativamente não é uma atitude incoerente para esses professores. Outros questionam: - O problema é que não adiante ser assim somente aqui nessa escola! Há que se ter muita coragem para romper esse cerco.