terça-feira, 20 de abril de 2010

O Vendedor de frutas




Na primeira semana de atividades, dentro do estágio, o que mais me chamou a atenção, foi o fato de a turma com sua característica de bastante agitação, ter conseguido realizar um trabalho com tinta, sem fazer muita sujeira, limpar e oganizar tudo, ao final com bastante tranquilidade, com muitos ajudando e acima de tudo como estavam focados naquilo que faziam. (a reprodução de uma imagem do quadro de Tarsila do Amaral " O vendedor de frutas". Na verdade, escolhi esse quadro, pois ela apresenta uma figura masculina, que tanto pode ser um rapaz, como um menino ou um adulto. A mim, me pareceu um menino, uma criança, portanto. E o fato de ele vender frutas em um barquinho, me remeteu à comparação de que muitas crianças da turma trabalham remuneradamente, como já comentei em outras postagens. Talvez inconscientemente, o quadro me chamou a atenção pela semelhança de situação; parecer uma criança trabalhadora. Os desenhos ficaram muito bons. Pretendo colocar algumas imagens deles, na parte de anexos, dentro das reflexões da semana no pbworks. Já está andando o planejamento para uma releitura do quadro. Onde introduzirão a modificação de elementos do quadro. Achei importante, primeiramente reproduzirem, mas da forma como quisessem para se familiarizarem. Penso que seja mais difícil a releitura sem a aproximação inicial.

sábado, 10 de abril de 2010

PA

Em Português, descobri um livro didático da autora Magda Soares, de quem lemos vários textos na Interdisciplina de Linguagem. Aliás também li um livro dela, nas férias, intitulado"LINGUAGEM E ESCOLA" - Uma perspectiva social, sobre o qual comentarei em próxima postagem.
No livro são sugeridos vários temas que iniciam por um tema principal que é a coleção. Nomeia e define vários tipos e coleções e seus colecionadores. Expliquei incluive que existe um livro que registras todos os feitos mais famosos de pessoas, inclusive de colecionadores; o Guiness Book (isto também está no livro). Apresentava coleções de bolinhas de gude, de selos, cartões telefônicos, e outras. A turma escolheu iniciarmos uma coleção de cartões telefônicos. (Vamos ver onde vai dar...). E a partir dali, cada criança, quando se lembra traz um parte de sua coleção. Apareceram em aula, coleção de bolinhas de gude, carrinhos hot wheel, imagens do Reinaldo Gianechinni, gibis, tampinhas de garrafa, selos, e outras. Apresentei, então, o selo, com suas partes de identificação: O desenho, o nome do autor do desenho, o valor, o país, etc..Vimos que o valor do selo paga todo o serviço envolvido nas trocas de cartas entre as pessoas. Agora, vamos trabalhar o envelope, onde se escrevem os dados do remetente e do destinatário e já me informei sobre a carta social, no correio.Iniciaremos o texto carta e postaremos carta social no Correio, onde pretendo levá-los. Como é um pouco distante do Centro, tentarei um transporte da Prefeitura para participarmos da hora do conto na Biblioteca pública municipal e aproveitaremos para postar as cartas.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Atividade ativadora de PA

Como previsto em meu esboço de arquitetura pedagógica, preparei como atividade motivadora e ativadora para desenvolvimento de PA com as crianças, uma ida à Porto Alegre. Várias crianças já haviam estado lá, outras não. O roteiro inicial era Jardim Botânico, com monitoria, estádios do Grêmio e Inter, MARGS e Palácio Piratini. Se possível o Aeroporto. Fomos em três quartas-séries. Felizmente, dos meus só faltaram três crianças, embora, também tenha sido uma pena. Por isso, além dessa atividade, tenho desenvolvido uma série de outras frentes, como já me referi, para que elas também possam desenvolver um PA.
No Jardim Botânico, o monitor dividiu a turma e fizemos duas rotas contrárias. Achei excelente a forma de trabalho com as crianças. Em nosso caso foi um homem que prestou o atendimento e fez associações o tempo inteiro, especialmente com o próprio corpo das crianças. Mata ciliar: associou com os cílios, solicitava às crianças que passassem os dedinhos nos cílios e perguntava o que protegiam, fez o mesmo com a mata ciliar, indicando que protegiam a água. Depois pedia que gritassem, repetindo os dois movimentos. Fez muitas associações diferenciadas.Foi bastante dinâmico o processo. Nos estádios, somente entramos e caminhamos um pouco ao redor do campo e arquibancadas. O monitor do Grêmio, falou do projeto "A Escola vai ao Jogo" É só agendar e a escola assiste gratuitamente ao um jogo do time. No MARGS, conseguimos visitar duas salas de exposição no terceiro andar. As crianças ficaram impressionadas com os tamanhos das telas. Durante todo o tempo pediam para visitar o Aeroporto. Então abdicamos do Palácio e fomo para lá. Elas adoraram!!!! Vimos três aviões decolando e dois aterrissando. Tiraram muitas fotos. Acharam o saguão do aeroporto muito lindo e gostaram de se embolar na escada rolante. Na vista para os aviões tiraram muitas fotos. Ficaram quase que totalmente em silêncio. Penso que foi o que mais os tocou. A partir daí, na aula, conversamos bastante, e solicitei uma explosão de palavras. Fizeram uma lista de palavras que lembravam o passeio. Depois relataram, por escrito como tinha sido o passeio e o que viram. A seguir registraremos as palavras no computador, porém no word, pois a internet ainda não chegou. Em outra oportunidade, passaremos para um pbworks.

ARTES II

Prosseguindo ainda, com a pintura, apresentei várias imagens de quadros de Tarsila e retomei os quadros de Monet, pedi que falassem o que percebiam; diferenças e semelhanças. Foi bastante interessante. Perguntei se queriam pintar alguns dos quadros dela. Ficaram entusiasmados. Inicialmente colocarei o vendedor de frutas para olharem e realizarem sua pintura. Será uma tentativa de cópia, simplesmente. Mais tarde, pretendo mostrar gravuras e exemplos do que seja uma releitura e novamente estimulá-los a pintar. Como exemplo, tenho uma gravura em que um dos quadros de Monet, a mulher representada,(que sempre era sua esposa) está pintada igualmente, porém com a cabeça da Mônica.
Também perguntei em que outro livro tinhamos lido sobre um ambiente parecido com esse ,onde Tarsila foi criada, cheio de plantas. Elas responderam imediatamente: "no Sítio do Pica Pau Amarelo." Na realidade, estou criando várias frentes nas diversas áreas do conhecimento, para que além do passeio que fizemos à Porto Alegre, como atividade disparadora, as crianças tenham mais opções de temas para pesquisa de PA.

ARTES

Na aula presencial, em março, fomos orientados a trabalhar junto com as professoras e professores que trabalham com a hora atividade. Sendo assim, combinei com a professora da Escola 17 de Abril que trabalharia junto com ela e sugeri que as aulas não fossem só de atividades de Educação Física, pois poderíamos variar e desenvolver diversos projetos. Iniciamos com a pintura. No ano de 2009, houve um fórum estudantil, que aliás acontece todos os anos e foram feitas inúmeras atividades em torno da preservação do ambiente natural, já relatadas por mim em outras postagens. As tarefas tiveram sua origem no estudo da vida do pintor Monet, por sua identificação com o ambiente natural, e por suas descobertas quanto aos efeitos de luz sobre os objetos pintados, resultando no Impressionismo. Pensei então, em escolhermos uma outra pintora, porém mulher, e brasileira, como Tarsila do Amaral. Li para elas, o resumo de vida da pintora, depois passei o texto no quadro para cópia e ao conversarmos sobre ela, surgiram várias comparações. Primeiramente, interessaram-se bastante pelo fato de Tarsila morar em um ambiente natural amplo, com jardins, pomares, animais e possuir muitos gatos,(40 era o que constava no texto). Imediatamente começaram a citar pessoas que possuíam muitos gatos, ali nas redondezas da escola. Pedi, então, como tema de casa, que pesquisassem com pais e na vizinhança se havia uma pessoa que criasse muitos gatos. A professora auxiliar sugeriu, então, que visitássemos a casa, se essa ficasse situada próxima à escola. No outro dia, as crianças vieram com a notícia que ali perto mora uma senhora que possui mais de 50 gatos. Em breve vamos visitá-la e procurarei registrar o momento com fotos.

domingo, 4 de abril de 2010

Situações III

Desde o início do ano letivo, procuro realizar a leitura de um livro, para a turma, no início da aula e começo sempre perguntando sobre o título e a capa; sobre o que eles pensam que se trata a história, algumas vezes anotamos no quadro, outras não, conforme eles pedem...(comecei com uma vez por semana e agora pretendo ir aumentando o número de vezes). No início, ficavam reclamando, agora, já ficam esperando. Já li "Por que meninos têm pés grandes e meninas pés pequenos"? , " O Sítio do Pica Pau Amarelo", " Velhinha que dava nome às coisas". O primeiro foi escolhido em função do tema identidade, em que a história aborda os chavões e as verdades sobre a afirmação contida no título. Vimos que existem meninas com pés grandes e meninos com pés pequenos, também. Aliás, o tema identidade é um foco sobre o qual desenvolvo várias atividades em todas as áreas até o final do ano. Tenho seguido a orientação da professora Gládis da interdisciplina de Contação de Histórias, através das quais discutimos sobre vários assuntos, mas não faço atividades que sejam áridas como as de gramática. Procuro outros textos menores para desenvolver tais aprendizagens. A terceira história, faz parte da infância de quase todos os brasileiros, e a partir dela, sugeri que tornassemos a escola parecida com o sítio do Pica Pau. Como resultado, vários já trouxeram flores e folhagens que plantamos na nossa parte do jardim. Sugeri plantarmos frutas, chás, verduras e legumes, mas a horta deverá ser feita noutra parte do terreno. Dependemos das máquinas da prefeitura para virem roçar. A segunda história, também reforça a importância dos nomes. Agora, vamos criar os nomes para algumas coisas dentro da sala de aula. O mais importante de tudo, é que observo que já começaram a gostar de ouvir e sugeriram que eles pudessem ler na frente da turma. Acolhi suas sugestões e eles leram a última história, assim, cada um lia uma página. Pretendo introduzir a leitura habitual, durante 10 minutos, todos os dias após a entrada do recreio. Poderão ler livros previamente escolhidos, individualmente, além de escutarem as contadas para todos.

sábado, 3 de abril de 2010

Situações II

Como já coloquei anteriormente, inicío o trabalho com as crianças, sempre focando as identidades individuais até começar a juntar determinadas situações que evidenciem uma identidade de grupo e social. Começo pelos nomes, endereços, visitas às casas, depois mapas da casa, da rua, crescendo para o bairro, cidade e por fim o Rio Grande do Sul. (Também dentro da própria sala de aula). Aí introduzo os pontos cardeiais, e sugiro referências como a casa em relação ao sol, a escola, e outros pontos bem conhecidos no bairro. Quando fiz o exercício de direcionar o braço para o sol para situar o leste, e daí os outros pontos cardeais... acharam que era bobagem, ficavam com vergonha, não levantavam o braço. Uma das características bem marcantes dessa turma "é pedir tema no quadro", qualquer outra forma diferenciada de apresentar uma atividade, como o passeio nas casas é só diversão, passeio e brincadeira. Não estamos aprendendo. Mesmo que eu explique que são maneiras diferentes de aprender, e pergunte se não é melhor assim e eles concordem....já tenho uma fila na porta, no recreio, de outras turmas, dizendo: aí, profe, eu queria estudar contigo! Em um bilhete que recebi de uma menina que não é minha aluna, ela expressou o mesmo, mas o motivo é o seguinte: Teus alunos falam que tu é tão boazinha... passa pouco tema!!!!!Dá vontade de rir, para não chorar.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Situações de aula

Uma das coisas que percebi após um mês de aula, pois no município começamos o ano letivo em 22 de fevereiro, foram as dificuldades na área de matemática. Na verdade, venho percebendo esses fatos que relato aqui, já há mais tempo, mas agora, consigo formular e escrever o que estou vendo. Especialmente depois de ler, durante as férias, o livro de Constance Kamii, "A Criança e o Número". Desde que comecei a trabalhar com 4ªs séries, agora5ºs anos, observei que as crianças não conseguem entender completamente o quadro posicional; a base 10. Se perguntamos quantas unidades vale uma dezena, respondem 10; se perguntamos quantas dezenas valem 10 unidades, repondem 1. Certo. Porém, quando vamos decompor os números não conseguem compreender que no numeral 2358, por exemplo pode ser decomposto de várias formas que se equivalem:2 unidades de milhar, 3 centenas, 5 dezenas e 8 unidades ou 2000 + 300 + 50 + 8. Eles entendem a decomposição se realizarmos os dois processos separadamente, porém se apresento os dois como comparação, ficam confusos. Custam a retomar o pensamento e enxergar que 2000 é outra forma de apresentar 2 unidades de milhar. Talvez seja normal pelo fato de que ainda se encontram na fase operatório concreta e as comparações os forçam a uma abstração. No entanto, suspeito que a própria construção do número ainda não esteja consolidada. Pois os processos de ensino dessa construção ainda continuam apenas se baseando na representação de que a quantidade 8 é igual a 8 bolinhas (ou qualquer outro símbolo), sem colocar as quantidades em relação umas com as outras, como exemplifica em seu livro a autora. Não esquecendo da inclusão hierárquica necessária à construção do número. A partir dessa constatação, estendo o trabalho em cima desses tópicos.